sexta-feira, 17 de abril de 2009

Palavra (En)cantada em cartaz no Topázio.

Desde os tempos dos trovadores medievais até o rap, o perfeito casamento entre música e poesia. E neste assunto casamento é mesmo uma palavra adequada, uma vez que trata-se de uma junção sem que cada um perca seu valor, seu papel. Helena Solberg soube, com maestria, em seu documentário, colher e escolher depoimentos, músicas, letras, melodias, de modo a nos levar a aprender e refletir da forma mais agradável e profunda possível. São 85 minutos de música, literatura e ideias.
Além da participação de Chico Buarque -- o nosso maior 'trovador'! --, Maria Bethânia, Tom Zé, entre outras personalidades, destacam-se depoimentos de 'cantores' de rap. É nesse momento que descobrimos que a escola do rap foram os repentistas do nordeste e a importância que dão à palavra.
Cenas de Hilda Hilst e Zeca Baleiro trabalhando juntos em composições de um fantástico disco dionisíaco (Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio) e o depoimento de competentes musicólogos também contribuem para tornar esse documentário algo simplesmente imperdível.

No Topázio, às 14:40 e às 18:30.
http://www.topaziocinemas.com.br/filmePalavra.htm

OSMC apresenta Concerto para Piano N. 1 de Liszt (18 e 19 de abil)

Neste final de semana a OSMC apresentará, sob a regência de Ligia Amadio, o Primeiro Concerto para Piano de Liszt. O solista será Fernando Lopes.

O húngaro Franz Liszt (1811-1886) foi um notável pianista e compositor de seu tempo, quando ficou conhecido por seus famosos e badalados recitais, onde, para deleite da platéia, exibia toda o seu virtuosismo. Como compositor, Liszt inovou a técnica pianística, explorando o piano de forma bastante vigorosa, e criou peças de difícil execução. Liszt exerceu marcante influência sobre compositores como Wagner, de modo que muitas obras de Liszt podem ser encontrados temas bastantes semelhantes aos usados por Wagner em suas óperas.
Com cerca de apenas 20 minutos, o concerto é conciso, porém completo. Possui quatro movimentos, tocados sem intervalo entre eles: Allegro maestoso, Quasi adagio, Allegretto vivace - Allegro animato e Allegro marziale animato.
O primeiro tema, um motivo que retorna durante todo o concerto, funcionando como elemento de coesão, é apresentado logo no início, pela orquestra, sendo repetido, depois, pelo piano.
Neste concerto, momentos de vigor são intercalados com momentos de grande lirismo -- como, por exemplo, no início do segundo movimento. No primeiro movimento, é de se notar o belo diálogo entre o piano e instrumentos solistas da orquestra: primeiro o clarinete, depois o violino, repetindo o mesmo tema. Ainda sobre o primeiro movimento, uma interessante observação é a forma como termina: com uma escala cromática que deixa a música 'no ar', sem um ponto final. O segundo movimento começa sereno, com cellos e baixos introduzindo um tema que é, em seguida, repetido pelo restante da seção de cordas e retomado pelo piano num longo solo. Um momento de profunda beleza. Em seguida, piano e cordas dialogam. Após mais solo de piano, ele toca ornamentos agudos durante solos das madeiras. O terceiro movimento começa com o triângulo acompanhado por um quarteto de cordas. O uso do triângulo, algo bastante ousado para a época, é empregado até o final da obra. No final são retomados todos os temas apresentados durante o concerto e o tema do segundo movimento volta como uma marcha. Termina de modo vigoroso, com piano e orquestra tocando o último acorde.
Composto pelo virtuose do piano do século XIX e para ser por ele mesmo tocado, o concerto possui passagens de difícil execução, com saltos em que o pianista corre grande risco de incorrer em 'esbarradas' acidentais.
O concerto estreou em Weimar, em 1855, sob a regência de Hector Berlioz e com o próprio Liszt solando.

No Youtube há uma bela gravação com Sviatoslav Richter, cuja primeira parte está em
http://www.youtube.com/watch?v=OxzwEPB4Gd0
Há também o excelente vídeo de Martha Argerich, com a Berlin Radio Symphony Orchestra sob a regência de Christoph von Dohnanyi. Gravação feita em Berlin em 13 December 1981:
http://www.youtube.com/watch?v=9YNiav7q6ac&feature=PlayList&p=74F92EF4E80DC7A7&playnext=1&playnext_from=PL&index=8

quarta-feira, 15 de abril de 2009

OSMC apresenta Sinfonia n. 1 de Brahms (18 e 19 de abril)

A Sinfonia Número 1 de Johannes Brahms (1833-1897) esteou em novembro de 1876, sob a regência de Felix Otto Dessoff.
Duração: 22 anos.
Não se assuste o leitor, pois nos referimos à duração da composição, não da execução -- que leva cerca de 45 minutos. Essa inércia foi de fato bem grande: proporcional ao peso da herança de Beethoven! Vindo após o mestre, Brahms sentiu-se bem pouco à vontade para compor obras sinfônicas, uma vez que o julgava insuperável. Exigente consigo mesmo, Brahms provavelmente nem se deu conta de que compositores não devem buscar superar seus antecessores, seus ídolos, mas apenas sucedê-los: continuar compondo, conforme as exigências de seu tempo e sua personalidade. Em uma palavra: dar curso à história. A responsabilidade que representava, para ele, vir após Beethoven justifica as inúmeras citações de obras beethovenianas ao longo da sinfonia. Para ele tratava-se de uma homenagem. Provavelmente era mais que isso: um pedido de aval.
A introdução da sinfonia, com o ritmo marcado pelo tímpano, com cordas e madeiras executando movimentos opostos, forte e marcante, foi a última parte a ser composta. Tem o clima ao mesmo tempo de comemoração por ter finalmente composto a sinfonia, mas de tensão, de expectativa. O clima árido e tenso, aliás, persiste durante todo o primeiro movimento -- Poco Sostenuto. Allegro --, dando lugar a um ambiente lírico, calmo, transcendental, apenas no segundo movimento. O Andante Sostenuto é, certamente, dos mais belos momentos do romantismo de Brahms. Parece-nos um fato bastante curioso o solo de violino, neste movimento, com temas dos quartetos de cordas de Beethoven, inserido em um ambiente tão romântico, que em interpretações como a de Leonard Bernstein torna-se quase wagneriano. Mais curioso ainda torna-se ao nos lembrarmos que em 1860, enquanto nasciam os rascunhos da primeira sinfonia, assinou um manifesto contra a músicaneo-alemã de Wagner e Liszt. Porém, Brahms e Wagner beberam da mesma fonte: mais uma vez, Beethoven.
O terceiro movimento, Un Poco Allegretto e Grazioso, tem mais vivacidade que o precedente, mas sem perder o lirismo, a poesia. Aqui surge um rompimento com o modelo beethoveniano, uma vez que nesse modelo se esperaria um scherzo.
Talvez esteja no Allegro non troppo do quarto movimento o momento mais belamente beethoveniano: acompanhados por pizzicatos dos cellos e contrabaixos, os violinos tocam, em seu registro grave, uma melodia que faz clara referência ao famoso quarto movimento da Nona Sinfonia de Beethoven. Antes dessa seção, ouve-se o solo de trompa -- depois imitado pelas flautas e trombones -- que, segundo Brahms escreveu em uma carta a Clara Schumann, foi um solo que ele ouviu tocado por um pastor. Foi provavelmente por isso que essa sinfonia ganhou o apelido provocante de 'Décima de Beethoven'.

O Youtube nos oferece um interessante vídeo: um pequeno trecho do ensaio do quarto movimento com Leonard Bernstein. É só clicar e conferir:
http://www.youtube.com/watch?v=nIAXhq1IWt0
Ainda no Youtube, é possível assistir à sinfonia inteira com Herbert von Karajan e a Filarmônica de Berlin (gravação de 1987). Aí vai o link para o início:
http://www.youtube.com/watch?v=K51QxH2IDnQ&feature=PlayList&p=8CC8F7F29770CC66&playnext=1&playnext_from=PL&index=30

Na Wikipédia:
Brahms
Brahms (inglês)
Sinfonia n. 1 (inglês)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Movimento para um teatro de ópera em Campinas.


Como não podia deixar de ser, inauguro este blog com um importante movimento: a mobilização pela construção de um teatro em Campinas.
Desde a destruição do Teatro Municipal por Rui Novaes em 1965, Campinas não tem um teatro apropriado para óperas e concertos. Atualmente com sede no Centro de Convivência Cultural, a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas divide as atenções do público com morcegos que voam durante os concertos. As condições de acústicas não merecem nem comentário.
Como às autoridades custa muito investir em cultura, é necessário que os cidadãos se mobilizem e exijam a (re)construção do teatro.

Blog do movimento para um teatro de ópera em Campinas:
http://teatrodecampinas.wordpress.com/

Endereço do Abaixo-assinado:
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3933