A Sinfonia Número 1 de Johannes Brahms (1833-1897) esteou em novembro de 1876, sob a regência de Felix Otto Dessoff.
Duração: 22 anos.
Não se assuste o leitor, pois nos referimos à duração da composição, não da execução -- que leva cerca de 45 minutos. Essa inércia foi de fato bem grande: proporcional ao peso da herança de Beethoven! Vindo após o mestre, Brahms sentiu-se bem pouco à vontade para compor obras sinfônicas, uma vez que o julgava insuperável. Exigente consigo mesmo, Brahms provavelmente nem se deu conta de que compositores não devem buscar superar seus antecessores, seus ídolos, mas apenas sucedê-los: continuar compondo, conforme as exigências de seu tempo e sua personalidade. Em uma palavra: dar curso à história. A responsabilidade que representava, para ele, vir após Beethoven justifica as inúmeras citações de obras beethovenianas ao longo da sinfonia. Para ele tratava-se de uma homenagem. Provavelmente era mais que isso: um pedido de aval.
A introdução da sinfonia, com o ritmo marcado pelo tímpano, com cordas e madeiras executando movimentos opostos, forte e marcante, foi a última parte a ser composta. Tem o clima ao mesmo tempo de comemoração por ter finalmente composto a sinfonia, mas de tensão, de expectativa. O clima árido e tenso, aliás, persiste durante todo o primeiro movimento --
Poco Sostenuto. Allegro --, dando lugar a um ambiente lírico, calmo, transcendental, apenas no segundo movimento. O
Andante Sostenuto é, certamente, dos mais belos momentos do romantismo de Brahms. Parece-nos um fato bastante curioso o solo de violino, neste movimento, com temas dos quartetos de cordas de Beethoven, inserido em um ambiente tão romântico, que em interpretações como a de Leonard Bernstein torna-se quase wagneriano. Mais curioso ainda torna-se ao nos lembrarmos que em 1860, enquanto nasciam os rascunhos da primeira sinfonia, assinou um manifesto contra a músicaneo-alemã de Wagner e Liszt. Porém, Brahms e Wagner beberam da mesma fonte: mais uma vez, Beethoven.
O terceiro movimento,
Un Poco Allegretto e Grazioso, tem mais vivacidade que o precedente, mas sem perder o lirismo, a poesia. Aqui surge um rompimento com o modelo beethoveniano, uma vez que nesse modelo se esperaria um
scherzo.
Talvez esteja no
Allegro non troppo do quarto movimento o momento mais belamente beethoveniano: acompanhados por pizzicatos dos cellos e contrabaixos, os violinos tocam, em seu registro grave, uma melodia que faz clara referência ao famoso quarto movimento da Nona Sinfonia de Beethoven. Antes dessa seção, ouve-se o solo de trompa -- depois imitado pelas flautas e trombones -- que, segundo Brahms escreveu em uma carta a Clara Schumann, foi um solo que ele ouviu tocado por um pastor. Foi provavelmente por isso que essa sinfonia ganhou o apelido provocante de 'Décima de Beethoven'.
O Youtube nos oferece um interessante vídeo: um pequeno trecho do ensaio do quarto movimento com Leonard Bernstein. É só clicar e conferir:
http://www.youtube.com/watch?v=nIAXhq1IWt0Ainda no Youtube, é possível assistir à sinfonia inteira com Herbert von Karajan e a Filarmônica de Berlin (gravação de 1987). Aí vai o link para o início:
http://www.youtube.com/watch?v=K51QxH2IDnQ&feature=PlayList&p=8CC8F7F29770CC66&playnext=1&playnext_from=PL&index=30Na Wikipédia:
BrahmsBrahms (inglês)
Sinfonia n. 1 (inglês)